31 de outubro de 2011

VIVA A REFORMA PROTESTANTE!!!

VIVA A REFORMA PROTESTANTE!!! QUE TODOS QUE SÃO DE DEUS ESTEJAM IMBUÍDOS DO ESPÍRITO DA REFORMA,CONTRA OS VENTOS DE DOUTRINAS ESTRANHAS ,DAS ELOCUBRAÇÕES E DELÍRIOS DAS FALSAS IGREJAS CRISTÃS,CONTRA OS FALSOS PROFETAS E MERCENÁRIOS DA FÉ!! CONTRA OS IMPÉRIOS PATRONAIS ,CONTRA OS IMPOSTORES E PRETENSOS DONOS DE JESUS!! PELA LEGITIMIDADE SOLA SCRIPTURA DAS IGREJAS HISTÓRICAS,PELA FÉ,SOLA FIDE,QUE UMA VEZ POR TODAS FOI DADA A IGREJA DE CRISTO!! UMA IGREJA(UM SÓ CORPO),UMA FÉ,UM SÓ SENHOR,UM SÓ ESPÍRITO,UM SÓ BATISMO:UM SÓ DEUS E PAI DE TODOS,O QUAL É SOBRE TODOS,AGE POR MEIO DE TODOS(CORPO) E ESTÁ EM TODOS(A IGREJA) PELA SÃ DOUTRINA,PELO BOM COMBATE DA FÉ!! (Ef.4:4:6),1 Tim.6;(9 a 12)...E TODA A ESCRITURA E TODO O EVANGELHO DO SENHOR JESUS CRISTO,UM SÓ ,ÚNICO,EVANGELHO!!!

OS NEOPENTECOSTAIS E A DOUTRINA DA REBELDIA ESPIRITUAL.



Existem pastores que se sentem donos do rebanho e como tais acham que suas ovelhas devem acatar todas as suas determinações.

Os profetas de GEZUIS acreditam que possuem o direito de determinar regras, estabelecer novas doutrinas, além é claro de obrigar os membros de suas igrejas a rezarem segundo as suas cartilhas. Nesta perspectiva, a vontade dos profeteiros em questão é comparada a vontade de Deus e opor-se a ela significa cometer o pecado de rebeldia. 

Em estruturas como estas, é absolutamente comum exigir-se dos crentes, submissão total. Em tais comunidades, a vida cristã é regida exclusivamente por um sistema onde ditadura e arbitrariedade se misturam. Infelizmente, aqueles que porventura ousam opor-se a este estilo de liderança, sofrem sanções das mais estapafúrdias possíveis sendo chamados de rebeldes e tornando-se passíveis de punição, cuja consequência final é a exclusão e exposição pública. 

Há pouco soube da história de um jovem que por ter questionado a direção arbitrária do pastor de sua igreja, o qual em nome de Deus conduzia o rebanho com mão de ferro, foi taxado de insubmisso. Pois bem, o rapaz não suportando as loucuras apostólicas do seu líder, saiu da igreja juntamente com outros irmãos sendo acusado de rebelde inconsequente.

Caro leitor, infelizmente, em nome de Deus, existe um bocado de gente que roga “pragas e desgraças” àqueles que em algum momento da vida se contrapuseram a seus sonhos e vontade. Em certas igrejas a palavra “rebeldia” tem sido usada para todo aquele que foge dos caprichos fúteis de uma liderança enfatuada. Em tais comunidades, discordar do pastor quase que implica com que o nome seja colocado na “boca gospel do sapo”. 

Pois é, se não bastasse esse grande imbróglio, os membros das comunidades despóticas vivem em constante estado de pavor, isto porque, em virtude do pânico impetrado pelos ditadores da fé, temem sofrer sanções espirituais, levando-os a uma vida cujo comportamento é quase que esquizofrênico. 

Isto posto, sou obrigado a afirmar que a igreja evangélica mergulha em alta velocidade no buraco da sincretização, deixando pra trás valores, virtudes e princípios como afetividade, amor e respeito.  

Caro amigo, nosso compromisso é com Deus e com as Escrituras. Em outras palavras isso significa dizer que a obediência ao pastor não deve jamais contrapor-se as verdades da Bíblia, e que aqueles que invocam para si autoridade acima das Escrituras, devem ser repreendidos, ainda que  isso os levem a serem taxados de  rebeldes.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens

29 de outubro de 2011

A Dádiva de Deus (sermão inédito de Martinho Lutero)


(um sermão sobre João 3:16)
Sermão pregado
Por Martinho Lutero
Em 25 de maio de 1534
Para a Segunda-Feira do Pentecostes

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16)

A boa nova para um mundo pecador.

Esse é, sem dúvida, um dos mais sublimes trechos evangélicos do Novo Testamento. Se fosse possível, teríamos que a gravá-lo em nossos corações com letras douradas, e todo cristão teria que se familiarizar com essas palavras e recitá-las em sua mente pelo menos uma vez ao dia, para conhecê-las bem de memória. Ali se escutam palavras que se forem cridas robustamente, conferem ao triste alegria, e ao morto, vida. Não podemos compreendê-las todas, não obstante, queremos confessá-las com a boca e rogar que o Espírito as transfigure em nosso coração e as faça tão luminosas e ardentes que penetrem até o mais profundo de nosso ser. É verdadeiramente um Evangelho de grande riqueza, repleto de consolo. “Deus amou ao mundo”, e o amou de tal maneira “que deu a seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” O que isso significa, o ilustrarei com um quadro em que veremos por um lado ao doador, e por outro, o receptor, e alem disso, o presente, o fruto e o proveito do presente, e tudo isso em  uma dimensão indizivelmente grande.

I. Deus, o Criador mesmo, é o que dá ao mundo o grande dom. O maior de todos é o doador. O texto não diz “O Imperador deu”, mas sim “Deus deu”: Deus, o Insondável, o Criador de tudo quanto existe. Mais o que isso quer dizer? As palavras humanas são demasiadamente pobres para explicá-lo em seu pleno alcance. Todas as coisas criadas são diante Dele como um grão de areia diante dos céus e terra. Com razão se fala Dele como do “que dá boas coisas”. Essa é, pois, a pessoa do doador. Quando escutamos a palavrinha “Deus”, devemos pensar que comparados com Ele, todos os reis e imperadores com seus dons e com suas cortes não são nada mais que um monte de lixo. Tanto deve nosso coração encher-se de gozosa reverência, que até mesmo o mais precioso tesouro dessa terra parecerá diminuto comparado com Deus; tão alta assim deve ser nossa estima para com o Senhor.

II. O meio da entrega voluntariosa de Deus é seu grande amor. Alem disso, Deus dá de uma maneira que, tal como sua divina majestade, vai alem de toda medida. O que Ele nos dá, não o dá como recompensa de nossa dignidade, ou de ignorância de nossa indignidade, mas sim de puro amor; Ele “amou ao mundo”. Deus, como doador, realmente assim o É de todo coração, e é impulsionado por Seu amor divino, que não está condicionado por nenhum mérito da parte dos homens. Não existe nem em Deus nem nos homens uma virtude mais excelsa do que o amor. Pois por aquilo que se ama, se empenha tudo, corpo e vida. Certamente, a paciência, a castidade, a justiça, também são virtudes muito apreciáveis – no entanto, parecem pouca coisa comparadas com a virtude do amor, que é a suma de todas as demais. O que possui a virtude da justiça, dá a cada um o prêmio e a recompensa que por seus méritos lhes corresponde. Mas à aquele quem amo, a esse me entrego totalmente: para tudo o que se necessite, me acharei disposto. Assim, quando o Senhor nosso Deus nos dá algo, o dá não somente por causa de sua paciência, não somente por ser o administrador da justiça, mas sim por razão dessa virtude suprema que é o amor. Isso deve despertar nos corações humanos uma nova vida, tirar do meio deles toda tristeza, e atrair todos os olhares até o amor abismal que habita no coração de Deus - Ele, o doador máximo, doa impulsionado pela mais elevada virtude, e essa virtude confere à dádiva seu caráter tão precioso como dom que provem do amor. Quando nesse dom intervém o coração, se pode dizer “quanto aprecio esse presente, porque vejo que é de coração!” Não é tanto o presente em si que tomamos em conta, mas sim o afeto com que foi feito, o “coração”: isso é o que dá seu verdadeiro valor. Se Deus me houvesse dado um só olho, um só pé, uma mão apenas, e se eu soubesse que isso Ele o fez por amor divino e paternal, eu deveria dizer: “esse olho me é mais precioso do que mil olhos.” Assim mesmo, se toma consciência de que Deus lhe obsequiou o batismo, você deve sentir-se todos os dias como se já estivesse no reino dos céus – pois não é tanto o grande prestígio do batismo o que nos comove, mas sim o grande amor que Deus nos demonstra com ele.

CARTA DE UM DIABÃO A UM DIABINHO SOBRE O DIA 31 DE OUTUBRO.


(Renato Vargens)
Odiado Cramulhão Encardido Junior,


Desejo amargamente que você esteja experimentando todo tipo de sofrimento.

Escrevo-lhe essa missiva para lhe orientar quanto a melhor maneira de fazer com que os filhos do adversário esqueçam o que aconteceu em 31 de outubro de 1517. Só de pensar naquele alemão miserável me dá vontade de proferir os piores impropérios. Maldito Lutero que desencadeou essa coisa horrorosa chamada reforma protestante.

Desgraçado Cramulhão, tenho algumas orientações a lhe dar e ordeno que siga a risca as minhas determinações. Neste 31 de outubro desvie a atenção deste povinho. Não permita que lembrem desta maldita Reforma. Faça com que se ocupem com falsas doutrinas, instigue-os a pensar que nesta data o que se deve comemorar não é o inicio do protestantismo, mais sim  o dia da bruxas. 

Odiado sobrinho, tive uma ideia infernal, que com certeza foi inspirada pelo nosso pai Belzebu, que tal instigá-los a se divertirem neste dia? Isso seria muito bom, até porque, eles não lembrariam daquelas teses horrorosas que foram fixadas em Wittenberg por aquele asqueroso monge agostiniano.

Maldito Encardido, diante disto a melhor coisa a ser feito é tirá-los do foco. Sim! Incentive-os a criar um tipo de entretenimento gospel,  faça-os organizar um Halloween evangélico. Dê a eles a desculpa de que isto servirá para evangelizar os perdidos, com certeza isso será ótimo para os nossos planos. 

Espero que cumpra com esmero minhas recomendações.

Termino esta carta, desejando todo tipo de maldade,

Com ódio,

Seu tio diabão.


Nota explicativa:

 Há alguns anos, o conhecido autor evangélico C. S. Lewis, professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, escreveu uma série de artigos sob o título: "The Screwtape Letters" , ou seja, "Cartas do Inferno" , Edições Vida Nova SP, e os publicou no jornal "Guardian", conhecido órgão da imprensa britânica, lá pelos idos de 1940. Depois, essas cartas foram reunidas em um livro com o mesmo título, que se tornou a obra mais popular desse eminente escritor de temas cristãos. Nessas cartas, o autor imagina uma série de conselhos que Roldão, experiente oficial da hierarquia diabólica, envia a seu sobrinho Lusbim, um diabo neófito que recebeu a incumbência de corromper a fé de um homem que se tornara cristão. Visto que, daquela época para cá, tem-se multiplicado as artimanhas satânicas, é lícito imaginar mais alguns terríveis conselhos enviados pelo sinistro oficial ao seu infernal emissário, em plena ação diabólica para desviar os fiéis do caminho estreito. Usando os mesmos personagens, apenas mudamos os nomes, e tomando emprestado o gênero literário do autor mencionado, aqui apresentamos aos amados leitores uma nova carta imaginária, vinda dos abismos infernais.


25 de outubro de 2011

CARTA ABERTA: LÍNGUAS E PROFECIAS HOJE?



Amados irmãos em Cristo,

Como presbiterianos subscrevemos os Padrões de Westminster. Todos os membros ao serem recebidos, ou os oficiais da nossa denominação ao serem ordenados ou instalados em seu exercício de mandato, é requerido em seus votos de ordenação crêr na suficiência das Escrituras Sagradas [sola scriptura - única regra de fé e prática, ou seja, não submissão a tradição, à leis humanas ou qualquer espécie de novas revelações] e, subscrever os documentos doutrinários de Westminster. Todos verbalmente se comprometem, e publicamente assumem o solene compromisso de ensinar, defender e viver a nossa herança Reformada. Todavia, a ética é evidenciada com incoerência. Não poucos desdizem na prática, quando não pelo ensino cousas contrárias ao que cremos e confessamos. Isto é triste, vergonhoso e motivo de confusão em nosso arraial presbiteriano. Por isso, não vejo verdadeira paz neste contexto disseminado em várias regiões de nossa pátria.

Uma doutrina claramente ensinada na Confissão de Fé de Westminster é a da cessação dos "dons revelacionais", isto é, os dons de línguas e profecias. Cremos que os dons de serviço destinam-se à edificação da Igreja, e são para hoje. Todavia, os meios revelacionais cessaram com o fechamento do cânon das Escrituras. Ao consumar a escrita do livro de Apocalipse, Deus cessa a continuidade da comunicação da revelação verbal que iniciou a escrever em Moisés (Ap 22:18-19). Ele não mais concede outras revelações além daquela que se encontra na Escritura. Os meios revelacionais alcançam o seu propósito e findam a sua utilidade. Leiamos o que declara a Confissão de Fé de Westminster no capítulo I, no parágrafo 1 que:

Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo (Ref. - Sl 19:1-4; Rm 1:32 e 2:1, e 1:19-20 e 2:14-15; 1 Co 1:21 e 2:13-14; Hb 1:1-2; Lc 1:3-4; Rm 15:4; Mt 4:4, 7, 10; Is 8:20; 1 Tm 3:I5; 2 Pe 1:19).

Temos a Escritura Sagrada e ela é suficiente para nos revelar, salvar, orientar, determinar, corrigir, educar segundo o santo propósito de Deus (2 Tm 3:16-17). Não necessitamos de nada além das Escrituras. Também não podemos submeter a nossa consciência a nada que além, contrário ou intencionando substituir a Escritura Sagrada, como inequívoca PALAVRA DE DEUS. Somente a Escritura é a Palavra de Deus. Isto significa sola scriptura!

Negar a obra do Espírito Santo é algo perigoso, mas atribuir à Ele o que não Lhe pertence é gravíssimo, porque é colocar mentira na boca do Senhor! (Jr 23:9-40; Ez 13:1-16; Gl 1:6-9). Por isso, temo e tremo agir contra o Senhor Deus. É fato que o falso não pode anular o que é verdadeiro, mas, o falso mesmo tendo aparência de verdade continuará sempre sendo mentira (2 Ts 2:7-12).
É possível concluir lendo os textos bíblicos que o dom de línguas no Novo Testamento:

DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?



Essa frase é instigante, pois revela claramente que por alguns instantes e sob dor insuportável o próprio Jesus pensou ter sido abandonado pelo Pai na agonia da cruz. Não tenho dúvidas de que esse sentimento assola o coração de muitas e muitas pessoas mundo a fora. Mas será que é fato mesmo? Teria Deus nos abandonado? Permita-me expor minha opinião.
Sinceramente, não consigo acreditar que Deus encaminhou seu próprio filho para a cruz. Do mesmo jeito como não entendo que foi Ele quem optou por colocar Daniel na cova dos leões, nem mesmo planejou o exílio de José no Egito para salvar seu povo da fome, entre vários outros exemplos. Em minha opinião, Deus transforma o mal em bem. A maldade planejada contra alguém é revertida em bem. Voltando à cruz, os interesses da liderança judaica aliada à crueldade romana levaram o messias a morrer do modo cruel como conhecemos. Dependendo da época, poderia ter sofrido morte tão ou mais cruel, praticada por povos brutais como os assírios, por exemplo, que empalavam (procure no dicionário o que é, caso não saiba) seus inimigos. O Senhor permitiu que a cruz fosse aplicada contra seu filho, mas não imagino a hipótese de que queria isso de fato. Ele, porém, converteu a barbaridade da crucificação no esplendor da ressurreição.
Pensando na mesma linha, tenho convicção de que não foi Deus que imputou leucemia no filho de ninguém, que provocou a ruptura de um casamento, que fez o sistema de freios de um ônibus falhar e causar uma tragédia, que soprou neblina para causar engavetamento, que mandou tsunami para disciplinar a nação japonesa, que castiga a África com tamanha miséria, que enviou a peste negra para dizimar a Europa no século XIV, que enviou Átila – o huno – como flagelo ao Império Romano, nem coisas do tipo. Todas essas infelicidades, tragédias e ganâncias fazem parte do mundo e da mente do ser humano. A carta aos romanos exemplifica essa questão: “sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Rm 8:22). Como já disse em outros posts, uma coisa é certa na vida, quem não sofreu ainda, certamente sofrerá.
Mesmo assim, o próprio apóstolo Paulo, no mesmo texto citado, nos dá orientação necessária para encararmos a realidade: “tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). Tudo depende da maneira como encaramos a vida. Se formos infantis, pensaremos em ser felizes, ricos, bonitos e bem sucedidos. Essa é a glória do “mundo de Caras”. O mundo real, entretanto, é bem diferente. A vida é dura! Por mais que a ciência avance, continuarão a existir doenças letais e tragédias que nos levarão embora juntamente com nossos queridos. Por isso, nossa perspectiva não pode de jeito nenhum ficar limitada apenas a essa existência. Afinal, “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (I Cor 15:19). Nós, que cremos na ressurreição do corpo, sabemos que Jesus derrotou a morte definitivamente, e que ela não poderá nos afastar do amor de Deus. Morte – para o cristão – é sinônimo de presença eterna com Cristo, e isso não pode ser ruim, não é mesmo?
É óbvio que não aconselho ninguém argumentar dessa forma com alguém sofrendo uma perda irreparável, mas no longo prazo, após o tempo utilizar seu poder de anestesiar, qualquer pessoa pode concluir que não há garantia nenhuma de que tudo acontecerá como nos filmes de Hollywood: o mocinho nem sempre se sairá bem no final; o casal não viverá feliz para sempre; o mal não será extirpado e nem todo que se esforçar ficará rico. Não que essas coisas sejam impossíveis, mas estatisticamente falando, a probabilidade de ocorrerem é baixíssima. Ninguém pode viver de ilusão, e se não estivermos preparados para lidar com notícias ruins, é bom começarmos a pensar a respeito. Você está empregado? Tem sua casa? Ninguém na família está doente? Levante a mão aos céus e agradeça, pois você é um afortunado! Existem bilhões de pessoas que não tem água potável, saneamento básico, nem muito menos um prato de comida para oferecer à família. Como diria a canção: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, pois não sabemos por quanto tempo teremos o privilégio da companhia daqueles que amamos, gozando perfeita saúde.
Concluo dizendo que Deus não nos abandonou! A Bíblia nos informa as cenas dos próximos capítulos. O final da história – próximo, espero! – é o retorno de Cristo para levar seu povo consigo para a Jerusalém celestial, onde não haverá mais dor e nossas lágrimas serão enxugadas para sempre! Esse é o objetivo final. Infelizmente, para chegar lá, as perspectivas não são as mais otimistas possíveis. O mundo continuará gemendo, e a morte física continuará tragando a humanidade como redemoinho, mas por tempo limitado. Tudo que ocorre é parte integrante da trama universal que culminará no dia da glória de Cristo! Enquanto isso, só podemos observar tudo e pedir uma coisa: Maranata! Ora vem Senhor Jesus!
William Mazza é engenheiro, cristão e colaborador do BereiaBlog
siga-o no Twitter: @wmazza
conheça também: http://www.wmazza.com.br

24 de outubro de 2011

A Mensagem da Reforma para os Dias de Hoje (parte 5 e final)



Martin Lloyde-Jones


por F. Solano Portela Neto



V. A MENSAGEM DA REFORMA PARA OS DIAS DE HOJE

As mensagens proclamadas pela Reforma continuam sendo pertinentes aos nossos dias. Da mesma forma como a Palavra de Deus é sempre atual e representa a Sua vontade ao homem, em todas as ocasiões, a Reforma, com suas mensagens extraídas dessa mesma Palavra, transborda em atualidade para a cena contemporânea da Igreja Evangélica. Vejamos apenas alguns pontos pregados pelos Reformadores e a sua aplicação presente:



A. A Reforma resgatou o conceito de pecado - Rm 3:10-23
A venda das indulgências mostra como o conceito do pecado estava distorcido na ocasião da Reforma do Século XVI. A Igreja Medieval e, principalmente, as ações de Tetzel, fugiram totalmente da visão bíblica de que pecado é uma transgressão da Lei de Deus, qualquer falta de conformidade com Seus padrões de justiça e santidade. A essência do pecado foi banalizada ao ponto de se acreditar que o seu resgate podia se efetivar pelo dinheiro. É fácil ver as implicações que a falta de um conceito bíblico de pecado traz para outras doutrinas chaves da fé cristã. Por exemplo: se o resgate é em função da soma de dinheiro paga, como fica a expiação de Cristo, qual a necessidade dela? Ao se insurgir contra as indulgências, Lutero estava, na realidade, reapresentando a mensagem da Palavra de Deus sobre o homem, seu estado, suas responsabilidades perante o Deus Santo e Criador e sua necessidade de redenção.

Hoje, estes conceitos estão cada vez mais ausentes da doutrina da Igreja contemporânea. A mensagem da Reforma continua necessária aos nossos dias. Estamos nos acostumando a ouvir que todas as ações são legítimas; que pecado é uma conceito relativo e ultrapassado; que o que importa é a felicidade pessoal e não a observância de princípios. Mesmo nos meios evangélicos, existe grande falta de discernimento — há uma preocupação muito maior com a necessidade de encontrar justificativas, explicações e racionalizações do que com a convicção e o arrependimento.

B. A Reforma pregou a doutrina da Justificação somente pela Fé - Gl. 3:10-14

A Igreja Católica havia distorcido o conceito da salvação, pregando abertamente que a justificação se processava por intermédio das boas obras de cada fiel. Lendo a Palavra, Lutero verificou o quão distanciada essa pregação estava das verdades bíblicas — a salvação é uma graça concedida mediante a fé e as boas obras não fornecem a base para ela; mas apenas a evidenciam e são subprodutos dela. A salvação procede da infinita misericórdia de Deus para com o homem pecador. É Deus quem arranca o homem da lama e perdição do pecado. Enfim, a obra completa da salvação é realizada por Deus.

Hoje, estamos novamente perdendo essa compreensão – a mensagem da Reforma é necessária. A justificação pela fé continua sendo esquecida e procura-se a justificação pelas obras. Muitas vezes prega-se e procura-se a justificação perante Deus através do envolvimento em ações de cunho social.

A justificação pela fé está sendo, ultimamente, considerada um ponto secundário, mesmo no campo evangélico. Assim, muitos têm partido para trabalhos de ampla cooperação, como base de fé e de unidade, como vimos no pensamento expresso pelo documento já referido: Evangélicos e Católicos Juntos.

C. A Reforma resgatou o conceito da autoridade vital da Palavra de Deus - 2 Pe 1:16-21
Na ocasião da Reforma, a tradição da Igreja já havia se incorporado aos padrões determinantes de comportamento e da doutrina e, na realidade, já havia abandonado as prescrições das Escrituras. A Bíblia era conservada distante e afastada da compreensão dos devotos; era considerada um livro só para os entendidos, um livro obscuro e até perigoso para as massas. Os Reformadores redescobriram e levantaram bem alto o único padrão de fé e prática: a Palavra de Deus e, por este padrão, aferiram tanto as autoridades como as práticas religiosas em vigor.

Hoje o mundo está sem padrão. Mas não é somente o mundo, a própria Igreja Evangélica está voltando a enterrar o seu padrão em meio a um entulho místico pseudo-espiritual – a mensagem da Reforma continua necessária.

Sabemos que nas pessoas sem Deus imperam o subjetivismo e o existencialismo. A única regra de prática existente parece ser: "Comamos e bebamos porque amanhã morreremos." Verificamos que nas seitas existe uma multiplicidade de padrões. Livros e escritos são apresentados como se a sua autoridade estivesse paralela ou até acima da Bíblia. A cena comum é a apresentação de novas revelações, geralmente de caráter escatológico e de características fluidas, contraditórias e totalmente duvidosas.

No meio eclesiástico liberal, já nos acostumamos a identificar o ataque constante à veracidade das Escrituras. Já há mais de dois séculos os liberais têm contestado sistematicamente a Palavra de Deus, como se a fé cristã verdadeira fosse capaz de subsistir sem o seu alicerce principal.
Mas é no campo Evangélico que somos perturbados com os últimos ataques à Bíblia como regra inerrante de fé e prática. Ultimamente muitos pseudo-intelectuais têm questionado a doutrina que coloca a Bíblia como um livro inspirado, livre de erro. Podemos tomar como exemplo o caso do Fuller Theological Seminary. Esta famosa instituição evangélica foi fundada em 1947 sobre princípios corretos. Logo após o seu início, formulou-se uma declaração de fé que especificava: "…os livros do Velho Testamento e Novo Testamento…, nos originais, são inspirados plenariamente e livres de erro, no todo e em suas partes…" Entretanto, em 1968, o filho do fundador, Daniel Fuller, que havia estudado sob Karl Barth, começou a questionar a inerrância da Bíblia, fazendo distinção entre trechos "revelativos" e trechos "não revelativos" das Escrituras. Foi seguido nesta posição pelo presidente, David Hubbard, e por vários outros professores, todos considerados evangélicos. Logicamente não há critério coerente ou autoritativo para fazer esta distinção. Subtrai-se da Igreja o seu padrão, derruba-se um dos pilares da Reforma, e a Igreja é retroagida a uma condição medieval de dependência dos "especialistas" que nos dirão quais as partes em que devemos crer realmente e quais as que devemos descartar como mera invenção humana.

No campo evangélico neopentecostal a suficiência da Palavra de Deus é desconsiderada e substituída pelas supostas "novas revelações", que passam a ser determinantes das doutrinas e práticas do povo de Deus.

A Confissão de Fé de Westminster, em seu Capítulo 1º, apresenta a mensagem inequívoca da Reforma do Século XVI, cada vez mais válida aos nossos dias. Ali a Bíblia é descrita como sendo a "… única regra infalível de fé e de prática".

D. A Reforma redescobriu na Palavra a doutrina do Sacerdócio Individual do Crente – Hb 10:19-21

RYLE E A PARÁBOLA DA REDE


Posted by Alcir Moreno em 17/10/2011

“Dizer-se a todas as pessoas batizadas, que elas nasceram de novo, que possuem o Espírito de Deus, que são santas e membros do corpo de Cristo, na luz de uma parábola como esta [Mateus 13.47-50], é inconcebível. Este pode ser modo lisonjeiro e bajulador de tratar com as pessoas, mas é difícil que venha a fazer o bem ou salvar uma alma. É uma maneira calculada de promover a justiça própria, e ninar os pecadores dormentes. Tal tratamento subverte o pleno ensinamento de Cristo e é nocivo para as almas”.[1]
Comentário: O piedoso bispo anglicano calvinista, John Charles Ryle, ao fornecer lições práticas sobre a parábola da rede que recolhe peixes de toda espécie afirma:“todas as assembléias de cristãos professos devem ser consideradas corpos mistos”.[2] Nessas precisas palavras, Ryle está asseverando que toda igreja possui cristãos convertidos e não convertidos, isto é, cristãos autênticos e falsos cristãos,“filhos de Deus e filhos deste mundo, que devem ser descritos e tratados distintamente uns dos outros”.[3] De acordo com o bispo, na qualidade de servos de Deus precisamos alertar aos membros do corpo visível de Cristo acerca da sua situação, sem apenas curar superficialmente suas feridas “dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jeremias 6.14; 8.11), afinal, “dentro em pouco, a rede será arrastada para a praia. E então, o caráter da religião de cada homem será finalmente exposto. Haverá uma eterna separação entre os peixes bons e ruins. Haverá uma ‘fornalha de fogo’ para os ímpios”.[4] Numa época em que apenas o levantar de mãos é suficiente para se afirmar se alguém é ou não crente, ou ainda numa época em que vestir camisas com dizeres “Jesus te ama!” é sinal de fé genuína, essa observação de Ryle se faz pujante, afinal a árvore é reconhecida por seus frutos, ou a fé por suas obras – obras dignas de arrependimento, isto é, que obras que evidenciam arrependimento.

[1] RYLE, J. C. Meditações no Evangelho de Mateus. São José dos Campos: Fiel, 2002. p. 103.

22 de outubro de 2011

A Mensagem da Reforma para os Dias de Hoje (parte 3)


por F. Solano Portela Neto


III. ESQUECIMENTO DOUTRINÁRIO DOS PRINCÍPIOS DA REFORMA


Muitas das comemorações conjuntas da Reforma por católicos e protestantes, descritas acima, só ocorrem porque não se falam nas doutrinas principais levantadas pelo movimento do século XVI. Tristemente, temos observado que mesmo no campo chamado "evangélico" a situação é semelhante. Raras são as igrejas e denominações evangélicas que ensinam o que foi a Reforma do Século XVI e muito poucas as que comemoram o evento e aproveitam para relembrar e reaplicar os princípios nela levantados. Mais recentemente, temos observado que tem sido removida a clara linha que separa o protestantismo do catolicismo quanto ao entendimento da fé cristã e da salvação. Isso, que até alguns anos atrás era praticado somente pela teologia liberal - que já havia declaradamente abandonado os princípios norteadores da Palavra de Deus - hoje está presente no campo protestante evangélico.


Essa falta de discernimento e conhecimento histórico, prático e teológico tem-se achado até mesmo dentro do campo ortodoxo, incluindo teólogos reformados e tradicionais. Referimo-nos ao documento "Evangélicos e Católicos Juntos" (Evangelicals and Catholics Together), publicado em 1994 nos Estados Unidos, e que tem sido uma fonte de controvérsia desde a sua divulgação.

O DOM DE LINGUAS SEGUNDO AS ESCRITURAS




É muito comum haver dúvidas quanto a funcionalidade do dom de línguas. Isto porque infelizmente na maioria das vezes há uma certa conformidade em aceitarmos o dom da maneira que nos é apresentado, ou seja, no campo da experiência individual do outro (o que duvido e muito que o que há são experiências de fato).

Há pelo menos 6 textos que mencionam línguas como dom

- Mc 16.17; At 2.1-12; 10.46; 19.6; 1 Co 12.10, 28, 30; 14.1-39

A questão das línguas como dom esbarra sempre na maneira como as versões apresentam as qualidades das línguas (novas, outras, variadas ou estranhas) e isto vai depender de cada versão ou passagem. Esbarra também em como isso acaba sendo interpretado e aplicado, o que fatalmente, e num número assustador vemos claramente os equívocos.

A evidência legítima do dom
Já de pronto vamos deixar claro que não há evidência nas escrituras de que alguém falou em língua de anjos. Este é o ponto equivocado em acharem que os termos; “novas, outras, variadas ou estranhas” queiram dizer que a linguagem seja de anjos.

Dos 6 textos acima onde línguas aparecem como dom, 2 deles só mencionam que o dom é de distribuição divina (Mc 16.17; 1 Co 12.10, 28, 30). Estes nada explicam e seu exercício.

Restam 4, e destes, 3 já mostram o dom sendo exercido publicamente (At 2.1-12; 10.46; 19.6). Vamos examinar os 3 textos e verificar o seguinte: não houve manifestação alguma de línguas angelicais neles.

1)  At 2.1-12 – Quando desceu o Espírito Santo sobre os que estavam reunidos, na primeira o que lemos é que eles começaram a falar em outras línguas (v.4)

Mas quais línguas?

Segundo os próprios ouvintes, cada um na sua própria língua (idioma) d origem (vs. 8-11). Os medos, partos, cirineus e assim por diante estavam atônitos por um simples fato:

“Não são galileus todos os que estão falando?” (v.7)

Ou seja, galileus falam no máximo aramaico (ainda que havia uma certa influência do grago no meio deles), e na ocasião, por distribuição do Espírito falam em línguas que eles mesmos não conheciam. Veja, eles falavam na língua dos outros, não é que os outros entendiam ou interpretavam o aramaico na língua deles, senão isto seria interpretar línguas e não falar em línguas.

2) At 10.46 - Este é um texto que mal entendido serve para os que pensam que a distribuição de língua angelical é bíblica. Isto porque alguns anulam detalhes simples de se observar na ocasião em que este grupo falou em línguas.

Pegue todo o capítulo 10 e veja que alguns personagens são centrais (Pedro e Cornélio). Se eu levar em conta que todos falaram em línguas ali na casa de Cornélio, romano e logo de fala grega e que Pedro era judeu e falava aramaico, vem a tona a pergunta: “Que língua falou Pedro”. Levando em conta que Pedro vai a casa de Cornélio para compartilhar das maravilhas de Cristo e que sua língua mãe era o aramaico, Cornélio recebeu uma mensagem na sua língua, falada por um indouto no grego.

Outro ponto aqui é At 11.1-3, Pedro é questionado pelos apóstolos e os outros judeus sobre sua pregação na casa de Cornélio. Agunta é: “Como estes ficaram sabendo disso?”

No mínimo algum judeu estava na casa de Cornélio. Afinal, Cesaréia, apesar de ser uma província romana em Israel, tinha habitantes judeus que frequentavam a casa do piedoso romano Cornélio. Algum judeu ouviu ou viu o que ocorreu. Como era assustador que o Espírito pudess ser concedido também aos gentios era óbvio que estes gentios falaram na língua judaica corrente e assim puderam questionar o evento à Pedro.

3)   At 19.6 – Outro texto sem aplicação de contexto deixa no ar uma idéia de que a linguagem de anjos é concedida. Entre At 18.24 e 19.6 temos a figura de Apolo pregando a judeus em Éfeso, ou seja havia uma mistura clara de fala judaica e grega na região. O batismo com o Espírito Santo concedeu que eles falassem provavelmente na linguagem judaica, para que os judeus entendessem a mensagem e não só a manifestação

Para e pense
Avalie At 10.46 e 19.6 e perceba que há sempre judeus no meio , até mesmo os que eram prosélitos (At 2.1-12). Nos capítulos 2; 10 e 19 sempre houveram judeus questionando os eventos mencionados. Em At 11 a indignação dos judeus ao saber que Pedro foi na casa de um gentio e que estes receberam o Espírito Santo era muito grande. Esta observação esbarra no propósito fundamental do dom línguas naquele período e que é mencionado em 1 Co 14.

A finalidade das línguas

A manifestação é um sinal para os incrédulos (v.22). As manifestações distribuídas e avaliadas estavam sempre ligadas ao fato de tanto judeus, que se achavam detentores das dádivas divina, quanto gentios, chamados de escória estavam na incredulidade e todas as manifestações estavam ligadas a anunciar a verdade de Deus, por isso que a linguagem humana é intimamente ligada ao dom de línguas e não de anjos. O que mais impressiona e ratifica esta questão tão polêmica e mal resolvida é que Paulo em 1 Co 14.21 repete o que Isaías já havia dito:

Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo.
Isaías 28:11

A conexão dos textos afirma que a linguagem estrangeira e não angelical seria o canal de comunicação para um período onde um número muito de grande de variedades de idioma estava presente na missão da igreja.